Polícia

Detento de MS estava envolvido em arrecadação de até R$ 1 milhão por mês para o PCC

Um detento de Mato Grosso do Sul foi preso novamente durante a Operação Cravada da Polícia Federal, que cumpria mandados após investigação apontar um esquema de tributação de crimes que cobrava mensalidades dos membros do PCC (Primeiro Comando da Capital). A operação aconteceu na manhã desta terça-feira (6) em sete Estados.

Conforme as informações da Polícia Federal concedidas em coletiva de imprensa, foi cumprido mandado de prisão contra o detento do PED (Presídio Estadual de Dourados). Mandado de busca e apreensão também foi cumprido em Dourados, cidade que fica a 225 quilômetros de Campo Grande.

Mensalidade

O delegado Ricardo Hiroshi Ishida, que investiga crime organizado pela Polícia Federal em Curitiba, falou sobre o sistema de tributação do PCC que passou a cobrar até R$ 250 por mês dos integrantes. “Se pegarmos um salário mínimo hoje [R$ 998], 25% desse valor iria para essas contribuições para a facção criminosa” disse o delegado ao site Uol.

Conforme o delegado Martin Bottaro Purper, coordenador da Operação Cravada, a estimativa é que o PCC obtinha até R$ 1 milhão por mês com essas contribuições. O valor era distribuído em aproximadamente 400 contas bancárias para evitar o rastreamento e de lá financiava compra de armas, drogas, pagamento de despesa de familiares de membros do PCC.

“Eles arrecadam valores em rifas ou mensalidades. Esse valor sai da base e chega para os líderes, que administram o dinheiro”, afirmou Purper. “Tudo é feito para que os líderes tenham bastante dinheiro, a base sustente e vários crimes sejam cometidos com ajuda do financiamento”.

Contabilidade

Conforme a Polícia Federal, a contabilidade era feita pelos próprios presos, de dentro dos presídios. Na Operação Cravada, a PF constatou que funcionava no Presídio Estadual de Piraquara (PR) uma espécie de central de administração dos recursos. Dos 30 mandados de prisão expedidos, oito eram contra pessoas que já estavam presas, sendo um interno de Mato Grosso do Sul.

Na operação outras 18 pessoas foram presas, além de dois presos em flagrante sem mandado. Mais de 400 contas bancárias foram bloqueadas pela Polícia Federal. Quatro pessoas continuam foragidas e 55 mandados de busca e apreensão foram cumpridos nas seguintes cidades:

Paraná: Curitiba, São José dos Pinhais, Paranaguá, Centenário do Sul, Arapongas, Londrina, Umuarama, Pérola, Tapejara, Cascavel e Guarapuava;

Minas Gerais: Uberlândia;

Acre: Rio Branco;

Roraima: Boa Vista;

Pernambuco: Caruaru;

Mato Grosso do Sul: Dourados.

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