Polícia

Área de conflito: proprietários rurais procuram a polícia e indígenas falam em paz

Reprodução, Sidnei Bronka

Proprietários rurais e indígenas seguem a disputa por terras na área de conflito em Dourados e um grupo de 12 sitiantes procurou à polícia para denunciar ameaças de mortes e invasões em suas terras apontando até mesmo um possível líder das ações. O fato é rebatido pela liderança em questão que diz querer paz e pede ajuda de autoridades para amenizar a situação.

De acordo com o boletim de ocorrência, sitiantes da região da Avenida Guaicurus em Dourados dizem que estão sendo ameaçados diariamente por indígenas que seguem invadindo suas áreas há semanas. Ainda segundo a denúncia, o grupo indígena estaria armado com armas de fogo, facões, arco e flecha, entre outros.

Os denunciantes ainda relatam que bens estão sendo depredados, áreas estão sendo queimadas, animais mortos, além de ameaças aos moradores causando medo e insegurança nos locais.

Na visão dos sitiantes, o objetivo dos indígenas é de “expulsar os moradores tomando posse das áreas e que isso só não aconteceu ainda pois há resistências deles dentro da legalidade”.

Líder nega autoria

As denúncias apontaram para a liderança da aldeia Bororó, Guaudêncio Benitez como responsável. Em contato com o Jornal Midiamax, ele afirma que desconhece as ameaças e diz que está preocupado com a situação e pede ajuda das autoridades.

“Sou contra a violência e descobri que meu nome estava ligado nessa situação através da mídia. Sou líder da aldeia e presidente do conselho de segurança. Queremos paz e evitar o derramamento de sangue. Não dei ordem e nem estou liderando qualquer tipo de ação violenta ou invasão”, disse Benites que acredita que seu nome foi colocado, pois esteve recentemente tentando conversar com os produtores para evitar um conflito armado.

Na opinião do líder indígena, uma guarita com seguranças particulares 24 horas na região de conflito por parte dos proprietários das áreas vem causando desconforto aos indígenas que moram na divisa e somado a isso houve um descontentamento de parte da comunidade após um senhor ser baleado recentemente.

“Estou fazendo meu papel de líder e tentando controlar os ânimos. Mas não posso responder pelas ações de todos. Algumas pessoas ficaram indignadas após esse senhor ser baleado enquanto estava trabalhando com sua criação. E o fato de ter pessoas armadas 24 horas na divisa causa temor”, relatou.

O senhor de 62 anos, relatado por Guaudêncio foi atingido no início deste mês por um tiro de espingarda no braço esquerdo e segundo ele, não participa do conflito das terras. A vítima diz que estava buscando alguns animais que pularam a cerca de arame de sua propriedade e foi baleada.

Guaudêncio pede que autoridades, como Funai, Ministério Público, Polícia Federal tentam controlar a situação conversando com as duas partes para achar uma saída antes que aconteça algo mais grave.

“Precisamos que alguém venha agir logo. Conversar com as partes para que se resolva essa situação. Não podemos esperar que alguém morra ou aconteça um conflito ainda maior. É preciso se precaver e de uma forma que não coloque risco para nenhum lado”, opinou.

As terras
A região é uma área de disputa que os indígenas dizem ser extensão das aldeias, mas proprietários relatam ter a documentação que garante a posse. O caso segue na justiça e recentemente um grupo de indígenas de outras regiões estiveram no local e entraram em confronto com seguranças particulares. A Polícia Militar foi acionada e conseguiu amenizar o conflito.

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