Polícia

PCC mede força com Agepen e instala ‘justiça paralela’ em presídios de MS

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Agepen afirmou estar apurando as circunstâncias de mortes

As facções criminosas têm formado um tipo de justiça paralela dentro das unidades penais de Mato Grosso do Sul. Em Dourados, duas mortes já foram registradas em cinco dias, após motim durante revista para averiguar denúncia de túnel em uma das celas da PED (Penitenciária Estadual de Dourados). “Eles julgam como eles bem entendem”, afirmou o presidente do Sinsap (Sindicato dos Servidores Penitenciários de MS), André Luiz Santiago.

O clima é instável na unidade de Dourados, ocupada por 2.250 presos, a maior do estado, também em estrutura, conforme a Agepen (Agência Estadual do Sistema Penitenciário de Mato Grosso do Sul). Em MS, já são 18.673 presos.

Mesmo com remanejamento constante de detentos, as ‘lideranças’ de facções criminosas não são isoladas. “São elas que definem quem ou não vai morrer”, afirma Santiago, que revelou que agentes penitenciários estão preocupados com a instabilidade e até com medo de uma possível rebelião.

A Agepen-MS informou que havia denúncia de túnel na unidade, mas que após vistoria, com apoio do Batalhão de Choque da Polícia Militar, nada foi localizado. Sobre a informação que os presos assumiram o controle do setor, a Agepen retificou que não foi assumido o controle, apenas que os presos impediram agentes penitenciários de entrar na cela que teria o túnel.

Sobre as mortes no presídio, a pasta também afirmou estar apurando as circunstâncias dos dois casos, um ocorrido no último 23 de maio e outro nesta segunda-feira (27), este último na cela 13 do raio 2.

Cristian Germano de Lima, 39 anos, estava preso por tráfico de drogas desde o dia 12 de dezembro do ano passado. Ele foi localizado enforcado por cordas artesanais presas às grades das janelas, nesta segunda.

No dia 23, Alessandro Viana da Silva, foi encontrado enforcado, depois do motim de presos que supostamente seria resposta à descoberta do túnel para fuga em massa. A perícia teria concluído que Alessandro foi assassinado. O detento cumpria pena por assalto e dividia o espaço da cela com outros 25 presos, que disseram não ter visto o crime.

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