Polícia

Juiz arquiva caso de estupro por falta de provas e mãe contesta: “Passei a fazer Direito porque quero Justiça”

Foto: Ilustrativa

A mãe pede licença por alguns segundos e o telefone fica mudo. Ela então se distancia da filha, que ainda estaria sofrendo com os "traumas do abuso sexual". Em seguida, reinicia a conversa. Desde outubro de 2016, esta é a rotina de uma estudante de direito, de 31 anos, em todas as ocasiões que precisa falar sobre o suposto crime. Nessa terça-feira (4), após quase três anos entre investigação, indiciamento e o andamento do processo, houve o pedido de arquivamento.

O caso teria ocorrido em outubro de 2016, uma escola municipal do bairro Aero Rancho, região sul de Campo Grande. Na época, a menina estava com 7 anos de idade. A mãe conta que desconfiou de "alguns comportamentos estranhos" assim que foi transferida como encarregada de Corumbá para a capital sul-mato-grossense, porém, o ápice foi no dia 26 daquele mês, quando a avó da menina a telefonou no serviço.

"Minha mãe ligou desesperada, falando que ela estava chorando muito e fazendo as necessidades dela na roupa. No outro dia, não queria ir para escola. Eu também percebi uma vermelhidão perto da vagina e a levei no posto de saúde. O médico a examinou e falou que era uma assadura. Ela então faltou alguns dias e depois voltou para escola. As coisas foram piorando, ela acordava de madrugada, falava o tempo todo que tinha um homem na casa, se assustava demais com qualquer coisa", afirmou a mãe.

Pouco tempo depois, a mãe conta que chamou uma vizinha para conversar. "Ela é agente de saúde e eu fui perguntar se ela não conhecia alguma psicóloga que eu pudesse levar a minha filha. Eu comentei que eu era uma pessoa ansiosa e talvez isso poderia estar acontecendo com ela e também falei que a minha filha estava agindo igual a um bebê, pedindo comida na boca, colo e fazendo xixi na roupa. Em seguida, ela me disse que iria acompanhá-la por uns 15 dias e eu questionei o motivo", relembrou.

Na sequência, a mãe conta que a agente de saúde informou a ela sobre uma possível notificação na Secretaria Municipal de Saúde (Sesau). "Ela soube que o médico que atendeu a minha filha desconfiou de um possível abuso e havia feito uma notificação. Eu fui atrás desse prontuário e conversei com a minha filha em casa, eu disse: a mamãe já está sabendo o que aconteceu no colégio e você pode me contar tudo", comentou.

Ainda conforme a denunciante, a menina relatou o possível estupro. "Ela falou que o professor estava passando a mão nela e que, se ela contasse, iria matá-la. Nós fomos ao conselho tutelar primeiro e lá ela conversou sozinha com a conselheira, que nos encaminhou imediatamente para a Depca [Delegacia Especializada de Proteção à Criança e o Adolescente]. Minha filha passou por reconhecimentos, teve que ir de novo e fez todos os procedimentos", disse.

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