Após 13 mortes e surto em aldeias, Secretário Nacional vem a MS

Cel. Robson Silva articula para iniciar amanhã ações que incluem a testagem em massa

| TAINá JARA / CAMPO GRANDE NEWS


Secretários Robson da Sesai (de amarelo) e Geraldo Resende. Os deputados Rose Modesto e Vander Loubet, além do prefeito de Aquidauana, Odilon Ribeiro, participaram da reunião (Foto: Divulgação/Dsei-MS)

A morte de 13 indígenas e surtos verificados em aldeias de Dourados e Aquidauana motivaram a vinda do secretário nacional de Saúde Indígena, Cel. Robson Silva, a Mato Grosso do Sul, nesta quarta-feira. Em parceria com prefeitura e governo do Estado, a pasta inicia amanhã ação integrada de atendimentos médicos para conter a covid-19 entre estas populações, como a testagem em massa.

Até então, a atuação da Sesai (Secretaria Nacional de Saúde Indígena) em situação de pandemia, havia se limitado ao envio de cestas básicas para atender os indígenas, embora os Distritos Sanitários estivessem estruturando barreiras para controlar o acesso às aldeias, a fim de conter a disseminação do vírus. Foram R$ 10,8 milhões distribuídos entre o final de abril e início de maio, para todo Brasil.

O avanço dos casos nas aldeias, através principalmente da contaminação de índios que trabalham em frigoríficos, exigiu ações mais rigorosos que só tiveram resposta do governo Federal agora.

Na manhã de hoje, o secretário nacional participou de reunião, em Campo Grande, para definir as ações a serem realizadas entre os dias 6 e 8 de agosto, com previsão de se estender para a próxima semana, em Aquidauana e região.

Santos reconheceu as fragilidades e a situação precária em que está a estrutura de atenção básica aos indígena. 'A Sesai de MS, ao longo dos anos, tem passado por dificuldades, mas já estamos organizando e entrando com apoio para regularizar essa situação, para melhorar a assistência de saúde aos indígenas', frisou o militar.

O atendimento médico será prestado dentro das aldeias, evitando o deslocamento dos indígenas para a zona urbana da cidade. Haverá também a testagem em massa para ajudar no diagnóstico da infecção causada pelo novo coronavírus.

Os indígenas receberão tratamento para os sintomas leves da doença, além de orientação sobre medidas profiláticas e uso de EPI (Equipamentos de Proteção Individual) para o enfrentamento da pandemia.

Até o momento, prefeitura e governo do Estado realizaram ações pontuais para tentar auxiliar os indígenas. O prefeito Odilon Ribeiro lembrou que disponibilizou três equipes para auxiliar os técnicos da Dsei, em Aquidauana.

Conforme informou o secretário Geraldo Resende, o Governo do Estado vai enviar remessa de EPIs, dando suporte para prefeitura e Sesai, a fim de mitigar os efeitos da pandemia de covid-19 dentro das aldeias e no município.

'Juntos, estamos comprometidos. Faremos o máximo de esforço no combate ao vírus e esperamos que nos próximos dias tenhamos uma diminuição nos casos em Aquidauana ', afirmou Resende.

Mortes – De acordo com o boletim epidemiológico divulgado nesta terça-feira, pela Dsei-MS, 13 indígenas morreram em decorrência da covid-19, no Estado. Foram sete óbitos em Aquidauana, três em Dourados, dois em Miranda e um em Sidrolândia. As confirmações chegaram a 682.

No Estado, de acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), há mais de 50 mil indígenas, sendo cerca de 10 mil nas cidades e o 40 mil na área rural. As etnias mais comuns são Guarani Kaiowá, Terenas e Kadiwéus. - CREDITO: CAMPO GRANDE NEWS

Em Mato Grosso do Sul, de acordo com a SES (Secretaria de Estado de Saúde), as confirmações ultrapassam as 28,3 mil e as mortes chegam a 442.

No Brasil, o número de indígenas contaminados ultrapassa os 16,1 mil e as mortes 549.



PUBLICIDADE
PUBLICIDADE