Mesmo antes de resultado apontar coronavírus, rapaz é enterrado sem velório

Por decisão da família, caixão foi levado do HU para a funerária e depois direto para o Cemitério Bom Jesus

| HELIO DE FREITAS, DE DOURADOS / CAMPO GRANDE NEWS


Funcionários de funerária carregam caixão com corpo de rapaz que morreu hoje em Dourados; familiares acompanharam à distância (Foto: Sidnei Bronka/Ligado na Notícia)

Sem velório e com caixão lacrado, foi enterrado às 10h30 desta quinta-feira (2) em Dourados, a 233 km de Campo Grande, o corpo do rapaz de 21 anos de idade, possivelmente a segunda vítima do novo coronavírus em Mato Grosso do Sul.

Mesmo antes do resultado para confirmar se ele tinha ou não Covid-19, a família decidiu que não haveria velório, apesar de a Saúde pública permitir cerimônia fúnebre com até duas horas de duração durante a pandemia.

A regra adotada durante a pandemia em Dourados estabelece velórios com duração máxima de duas horas e com limite de pessoas no recinto para evitar aglomerações. Em caso de morte por suspeita ou confirmado por coronavírus, o caixão deve ser lacrado.

Entretanto, o Campo Grande News apurou que o caixão foi levado do HU (Hospital Universitário) para a funerária e depois de o corpo ser preparado, foi direto para o cemitério municipal Bom Jesus, onde ocorreu o enterro. O caixão foi carregado por funcionários da funerária usando roupa de proteção para evitar contágio. Familiares acompanharam à distância.

Na terça-feira (31), quando foi confirmada a primeira morte pelo novo coronavírus no Estado, o corpo da paciente de 64 anos internada no hospital da Cassems em Dourados foi levado direto de Dourados para o cemitério de Batayporã, onde ela morava.

Em comunicado na manhã de hoje, transmitido ao vivo pelo Facebook, o diretor do Departamento de Vigilância em Saúde do município, Emerson Eduardo Correa, disse que o procedimento do funeral do rapaz morto hoje seguiria as medidas dos casos confirmados, mesmo sem o resultado do exame.

“Foi colhido o material e solicitamos ao Estado urgência nesse exame, para esclarecer o quanto antes essa situação, se o óbito foi ou não por Covid-19. O enterro será dentro das orientações como se fosse paciente de coronavírus, é melhor pecar pelo excesso do que pela falta. Essa é a orientação para as funerárias', afirmou Emerson. Segundo ele, se o enterro ocorreu sem velório, foi por decisão da própria família.

A morte – O rapaz de 21 anos teria passado mal ontem à tarde e foi levado para a UPA (Unidade de Pronto Atendimento) com dores no peito, falta de ar e tosse. De lá foi encaminhado para o HU, onde morreu de madrugada.

O hospital não quis se manifestar sobre o caso e informou, através da assessoria de imprensa, que os órgãos oficiais autorizados a falarem em relação à Covid-19 são o Ministério da Saúde, secretarias estaduais de Saúde e Vigilâncias Epidemiológicas.



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