Com MP de Bolsonaro no bolso, Flamengo puxa a fila para nova era dos direitos de transmissões de jogos

Clube rompe com a Rede Globo, dá de ombros para direitos e parcerias passadas e pretende assumir uma condição diferente e revolucionária no futebol


Foto:Divulgação

O Flamengo pode abrir caminho nesta quarta-feira para uma nova era nos direitos de transmissões de jogos de futebol no Brasil. Com a MP 984/2020 assinada pelo presidente Jair Bolsonaro no bolso, o time de maior torcida no País e que faturou R$ 1 bilhão na temporada passada, vai quebrar todos os acordos que tem com a Rede Globo para mostrar por conta própria partida contra o Boavista no seu canal de streaming, o Youtube. A emissora recorre na Justiça para impedir isso. Seu argumento é que tem os direitos de transmissão do Campeonato Carioca assinado. O Flamengo alega que não entrou em acordo com a Globo, portanto, não assinou nada neste torneio. O jogo será 21h30.

A MP de Bolsonaro, costurada pelo próprio Flamengo em Brasília, dá aos times mandantes o direito de vender ele próprio a transmissão da partida. Vender para quem quiser em qual plataforma quiser. MP vale até o fim do ano em função da pandemia. Mas pode ser esticada por mais tempo, ou refeita nas mesmas condições. As emissoras de TV e outras plataformas alegam que ela não tem validade porque os torneios já foram vendidos antes. Há contratos nesse sentido. O Flamengo e alguns outros clubes entendem de forma diferente.

Ocorre, como quase tudo no Brasil, que não há consenso tampouco uma conversa em bloco dos times para acertar isso. Cada um vai por um caminho. O Flamengo toma essa frente e outros vão esperar para ver o que vai dar. É fato também que os clubes dependem do dinheiro de TV, seja da Globo ou Turner, no Brasileirão. Enfrentar as emissoras nunca foi um caminho para o futebol brasileiro. Pelo contrário. Os clubes sempre se mostraram “cordeirinhos” em relação aos direitos de TV dos jogos. Em muitos casos tiveram dinheiro adiantado e isso sempre os fez reféns.

O Flamengo abre uma perspectiva nova. Não sabe se dará certo. Há na Europa exemplos desse tipo de negócio, mas lá ocorre em grupo para fortalecer o campeonato local. Esse é um ponto a ser discutido ainda no Brasil. O Flamengo, por enquanto, trabalha sozinho. Pensa nele e em suas coisas. Não está nem aí para os outros. O Vasco, de Eurico Miranda, tinha esse pensamento também. Provou-se estar errado.

A MP abre uma nova perspectiva. O futebol brasileiro precisa de clubes ricos para ter bons elencos e melhores jogos. Transparência e prestação de contas precisam melhorar na modalidade. Temos a impressão de que o dinheiro some no futebol e nada é feito para melhorar os elencos, as dívidas não são pagas e gasta-se mais do que se arrecada. Isso precisa mudar. O Flamengo entra como exemplo disso ao lucrar alto em 2019 e manter um time bom de bola, que atrai o torcedor não somente do seu time. Mas não há como mudar rasgando contratos. É preciso negociar sempre.



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